Maestro Forró é o novo imortal da Academia Pernambucana de Música

Francisco Amâncio da Silva, o Maestro Forró, será oficialmente nomeado o mais novo imortal da Academia Pernambucana de Música durante solenidade realizada hoje, às 19h, no Teatro Arraial Ariano Suassuna, bairro da Boa Vista. Forró tomará posse da cadeira de número 16, antes ocupada pelo Maestro José Xavier de Menezes, também arranjador e compositor, nascido em Nazaré da Mata e falecido em 2013.

Um dos filhos mais famosos do bairro da Bomba do Hemetério, Zona Norte do Recife, o músico recebeu o convite de Leny de Amorim, presidente da Academia, para solicitar a candidatura. Convite aceito, uma comissão formada por trinta acadêmicos avaliou o currículo de Forró, aprovando a indicação. Para ser eleito, de fato, o Maestro precisava passar pelo crivo dos imortais, somando 51% dos votos favoráveis. A surpresa, contou ele, se deu pela unanimidade dos votos em prol de sua nomeação.

"O primeiro sentimento foi mesmo de surpresa. Eu faço um trabalho completamente acadêmico, mas sempre adicionando espontaneidade, tentando popularizar o erudito, intermediando a comunicação entre as várias linguagens, interagindo, mixando, no sentido de interagir. A segunda reação foi de gratidão pelo reconhecimento desse trabalho e, principalmente, pela unanimidade da eleição", disse.

Aos 41 anos, Maestro Forró é criador e regente da Orquestra Popular da Bomba do Hemetério, já se tornou um dos símbolos da criativa música feita no Estado e, por esses méritos, foi homenageado do Carnaval Recife 2016. O título de imortal, ele detalha, veio acompanhado de afetivas coincidências. "Maestro Zé Menezes, último a estar na cadeira 16, foi o primeiro grande crítico de nosso trabalho e também o primeiro a entender o que fazíamos. No começo ele metia o pau mesmo, dizia: ‘Isso não é música! ’, mas depois compreendeu", relembra. "Certa vez, conversando com ele, descobri que o frevo que minha mãe cantava pra eu dormir Tá faltando alguém / tá faltando alguém sim... (Tá Faltando Alguém, 1961) era de sua autoria".


Como membro da APM, ele assume a missão de continuar a pesquisar, reler e promover interação entre o clássico e o popular. "Vou procurar promover interação entre a linguagem acadêmica com qualquer linguagem boa e positiva. Gosto de liquidificar. Estudo os tradicionais todos os dias porque sinto que ainda existem preconceitos vindos tanto dos populares, os brincantes, quanto dos eruditos. Mas todos são músicos", encerra.

De Jornal do Commercio